Abstract
O uso de empréstimos é um tema envolto em controvérsia. Os falantes de uma língua recorrem a palavras estrangeiras ora quando não conseguem encontrar um equivalente na sua própria língua, ora quando querem, proposita-damente, evocar significados que ultrapassam os meros significados proposicionais das palavras utilizadas. Enquanto o primeiro caso é frequentemente associado a um empobrecimento linguístico, o uso intencional de empréstimos pode também ser sinal de erudição e enriquecimento da língua. No entanto, não parece haver muitos estudos sobre o uso de palavras estrangeiras na tradução. As referências existentes mencionam apenas o uso de empréstimos como estratégia para se lidar com conceitos difíceis de traduzir, ou como maneira de ser preservar valores culturais da língua-fonte. Pouco se sabe sobre a relação entre o uso de empréstimos na língua-fonte e na língua-alvo. Até que ponto diferem? Neste trabalho, analisou-se o uso de empréstimos num corpus eletrônico de literatura original e traduzida. A análise centra-se na frequência dos empréstimos e na sua distribuição por língua.